Pego o Rio Doce pra cá, Sou um homem do subúrbio, Rogo a Deus e a Saravá, Pela paz, sem distúrbio. Sou um pobre, empregado, Sem salário e com estudo, Vivo num busão lotado, A procura de um escudo. Sou roubado a toda hora, Já não tenho telefone, E um ladrão sobe agora, Pra rechear a sua fome. Dô o nada que me resta, Desço na AESO, vem o bis: "Sua nota nunca presta!", O Professor sempre diz. Eu tenho hora pra chegar, E pagamento pra receber, Tenho aluguel pra pagar, Mais cobrança sem merecer. Pego o Rio Doce pra cá, Sou um homem do subúrbio, Rogo a Deus e a Saravá, Pela paz, sem distúrbio. Salve as meninas-amazonas! Deus, me guarde das Cobras, Vejo mais pontos de armas, Que pontos finais de obras. Victor Mauricio Borba
Tem mais peixe nesse aquário Do que me dizem na ladeira, Tem um esqueleto no armário Bem mais velho que a madeira. Se está pouco o meu salário, A gente já faz pouca feira, Se o Presidente é adversário, Essa época já é passageira. Eu não quero um astrolábio Que me aponte só besteira, Eu não quero um comentário, Que me faça andar na beira. Eu só quero paz no bairro, Ficar peixe, em brincadeira, Eu só quero um par de lábio Pra eu te lambuzar inteira. Victor Mauricio Borba
Ao meu entorno, Vejo tanto torto Que falta morto Pra tanta gente. Ao meu retorno, Faço um contorno, Chego no Porto: É abraço quente. Victor Mauricio Borba
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